Como criar coreografia de dança: guia passo a passo
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Uma coreografia de dança, mesmo simples, raramente sai pronta de uma vez só. Para criar coreografia, você parte de uma música, divide a faixa em tempos, dá a ela uma estrutura, depois escreve os movimentos, posiciona o grupo no palco e passa tudo para os dançarinos. Este guia segue essas etapas na ordem, com as referências que os professores usam (a contagem em oito tempos, os recursos coreográficos, o ensaio corrido) e o que anotar em cada etapa para não perder nada de um ensaio para o outro. Vale tanto para a primeira sequência de um grupo quanto para um número de festival ou de apresentação de fim de ano.
Escolher a música e cortar a faixa
Tudo começa pela faixa. O Superprof, plataforma de aulas particulares, aconselha a não escolher uma música padrão ou só porque está na moda, e sim uma que mexa com você e dê vontade de dançar; para uma primeira coreografia, a Danc'Art, escola de dança de Lille, na França, recomenda um andamento moderado e uma música que você conheça bem. Antes de se mexer, ouça a faixa várias vezes seguidas, sem dançar, para identificar as frases musicais, os momentos fortes e os silêncios: é a etapa que muitos iniciantes pulam, observa a Danc'Art, mas é ela que facilita todo o resto.
O andamento se mede em batidas por minuto (BPM). Segundo a Wikipédia em português, toda música tem uma velocidade medida em BPM, e as partituras tradicionalmente a indicam em italiano, com termos como allegro ou andante. A mesma enciclopédia dá exemplos bem brasileiros: o funk carioca tradicional fica em 130 BPM, o funk rasteiro desacelera para algo entre 90 e 105, e uma vertente mais recente sobe para 150. Essa conta vai servir para todo o resto: a 120 BPM, um tempo dura meio segundo e um bloco de 8 tempos, 4 segundos; uma música de 3 minutos tem então 360 tempos, ou seja, 45 blocos de 8. Quanto mais rápido o andamento, menos espaço cada movimento tem, e mais curtos precisam ser os deslocamentos.
Depois, corte a música na duração desejada com um programa de edição de áudio. Corte no início de uma frase musical, num “1”, nunca no meio de um bloco, e prefira um final seco, num tempo forte, a um fade-out que vai sumindo enquanto o grupo segura a pose. Por fim, mantenha o arquivo exato que você cortou e mande esse mesmo arquivo para todo mundo: se a versão muda no meio do caminho, as contagens saem do lugar e a equipe precisa reaprender as referências.
Contar a música em oito tempos
Na dança, a música é contada em blocos de oito tempos: “1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8”, e depois tudo recomeça. O Superprof lembra que geralmente é assim que se conta na dança de salão, nas danças latinas, na dança contemporânea e nas danças urbanas, com algumas exceções contadas em 4 ou 6 tempos, como o passo básico do rock. Um bloco de 8 cobre dois compassos de quatro tempos, explica a plataforma de cursos Cursa: a grande maioria da música popular ocidental é escrita nesse compasso, e a primeira batida de cada grupo de quatro soa mais forte. O “1” é o tempo em que a frase recomeça, muitas vezes marcado pela entrada de uma voz ou de um instrumento.
Os contratempos são contados com “e”: “1 e 2 e 3…”. No nível iniciante, o Superprof aconselha encaixar cada movimento num tempo ou num contratempo e associar uma contagem a cada gesto, um método também usado nas coreografias em grupo para que todo mundo fique sincronizado. Na hora de soltar a música ou de retomar um trecho, a contagem “5, 6, 7, 8”, que todo aluno de dança já ouviu do professor, avisa que o próximo bloco vai entrar, e a Cursa sugere contar em voz alta, de um a oito, para perceber onde cai o “1”: é nele que todo mundo sai.
Anote as contagens desde o início. O mais simples é uma tabela: uma linha por bloco de 8, numerada (primeiro oito, segundo oito…), com a parte da música ao lado (introdução, verso, refrão) e os movimentos em poucas palavras. O Superprof sugere fazer esse registro: escrever ou desenhar a coreografia, com abreviações próprias, como D para direita e E para esquerda, ajuda muita gente a guardá-la na memória. Sem registro, a coreografia acaba sendo reinventada a cada ensaio.
Montar a estrutura: introdução, versos, refrão e final
A maioria das músicas alterna versos e refrões. A Wikipédia em português define o refrão como a parte principal de uma música, aquela que se repete várias vezes ao longo dela. Além dos versos e refrões, costuma haver uma introdução, às vezes uma ponte que quebra a repetição antes do último refrão, e um final; o Superprof aconselha analisar essa estrutura (introdução, refrões, versos) antes de coreografar. Marque essas partes na sua tabela de contagens: quantos blocos de 8 para a introdução, para cada verso, para o refrão. É o esqueleto da sua coreografia.
Depois, encaixe a dança nessa estrutura. Um refrão que volta pede a mesma frase dançada: o público a reconhece, e os dançarinos aprendem uma vez só para dançar três vezes. Os versos deixam espaço para variações, para um trecho com menos gente ou para uma troca de formação; a ponte é o momento certo para uma surpresa ou um contraste. O programa inglês de dança do GCSE, publicado pela banca examinadora AQA, dá nome a essas formas: binária (AB), ternária (ABA), rondó, em que uma parte A volta entre partes diferentes, ou narrativa, quando a dança conta uma história.
Capriche no início e no fim, os dois momentos de que o público se lembra. O Superprof pede um cuidado especial com essas duas partes: são elas que trazem o público para o seu universo e deixam uma boa impressão. Uma ficha pedagógica francesa, do conselheiro pedagógico de educação física do departamento do Ródano, pede um início e um fim “identificáveis, precisos” e faz três perguntas para cada um: onde se entra (já no palco ou vindo da coxia), quem entra (o grupo todo, grupos menores, um depois do outro) e como (as mesmas ações ou ações diferentes, na mesma velocidade ou não). Para o fim, a mesma coisa: imóveis no palco, agrupados, no chão ou saindo um depois do outro. Uma pose final limpa e bem sustentada vale mais do que uma saída embolada.
Escrever as frases de movimento
Uma frase de movimento é uma sequência de gestos que forma uma unidade, muitas vezes um ou dois blocos de 8. Comece com um motivo curto que carregue a ideia da dança: um gesto de braço, um passo, um apoio diferente. O programa do GCSE da AQA põe o motivo em primeiro lugar na lista de recursos do coreógrafo, “motif and development”: um motivo e seus desenvolvimentos. Para encontrar seus movimentos, parta da música (um acento pede um gesto seco, um som longo e contínuo pede um movimento ligado), de uma palavra, de uma imagem ou de um gesto do dia a dia ressignificado, como propõe a ficha do Ródano.
Depois, desenvolva o motivo com recursos coreográficos. O portal pedagógico da diretoria regional de ensino de Nantes, na França, lista uns vinte, entre eles a repetição (reproduzir um movimento várias vezes), a inversão (fazer a frase de trás para frente), o contraste (grande e pequeno, rápido e lento), a acumulação (acrescentar movimentos ou frases), a transposição (a mesma frase no chão e em pé), a cascata (uma sucessão de ações de um dançarino para o outro), o uníssono (a mesma coisa ao mesmo tempo) e o cânone (um movimento retomado por outros dançarinos em intervalos regulares). Um mesmo motivo de 8 tempos rende assim várias frases sem que você invente um único passo novo.
Fique com frases que o seu grupo consegue dançar. Uma coreografia simples repete mais do que inventa: duas ou três frases bem escolhidas, retomadas e variadas, muitas vezes bastam para um primeiro número. Dance cada frase você mesmo, na música, antes de ensiná-la, conte em voz alta e escreva na sua tabela, bloco por bloco. Se um trecho não cai certinho nas contagens, simplifique na hora: depois que o grupo todo aprendeu, fica muito mais difícil.
Posicionar o grupo e encadear as formações
Com as frases escritas, decida onde cada um vai dançá-las. Uma formação é a posição de todos os dançarinos num dado momento: uma linha, duas linhas desencontradas, um V, uma diagonal, um círculo, grupos menores. Troque de formação quando a música mudar de parte, e não de qualquer jeito: um novo verso, a chegada do refrão ou a ponte são momentos naturais. O guia para criar formações de dança detalha as formas mais comuns e como escolhê-las de acordo com o número de dançarinos.
O posicionamento também deixa a dança mais legível. O programa da AQA inclui a “manipulation of number”, trabalhar com o número de dançarinos, entre os recursos do coreógrafo, e o portal de Nantes também põe na lista o aumento e a diminuição do número de dançarinos: um refrão dançado pelo grupo todo em uníssono impressiona mais depois de um verso dançado por três. Coloque os dançarinos mais seguros onde o público olha primeiro, no centro e na frente, e desencontre as fileiras para que quem está na segunda linha apareça entre os da primeira.
Cada troca de formação é um trajeto que também se conta, como um passo. Dê a ela um número preciso de tempos, um bloco de 8 por exemplo, e um caminho para cada dançarino, evitando que dois trajetos passem pelo mesmo lugar ao mesmo tempo. Os deslocamentos mais simples mantêm a ordem dos dançarinos; os que embaralham essa ordem pedem mais ensaio. Anote no seu mapa, para cada formação, a contagem em que todo mundo precisa estar no lugar: é essa referência que faz o grupo chegar junto.
Ensaiar e passar a coreografia para os dançarinos
Ensine a coreografia por partes. O Superprof descreve o passo a passo que um bom professor segue: a coreografia é dividida em partes, cada uma é repetida várias vezes antes de passar para a próxima, e os movimentos são aprendidos primeiro devagar e sem música, depois na velocidade real e, por fim, na música. Mostre assim cada bloco de 8, contando em voz alta. Se você ensina de frente para o grupo, faça os movimentos espelhados e avise, senão uma parte dos dançarinos vai sair para o lado errado. Para cada um rever o próprio lugar em casa, compensa mais compartilhar a coreografia com a equipe do que copiar os mapas à mão.
Deixe os dançarinos “marcarem”, ou seja, fazerem os movimentos numa versão menor, sem saltar nem forçar, enquanto aprendem. Um estudo da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, publicado no periódico Psychological Science e contado pela revista Dance Informa, pediu a 38 alunos avançados de balé clássico que aprendessem duas sequências, uma ensaiada na velocidade de apresentação e a outra marcada: os jurados deram notas mais altas à sequência que tinha sido marcada. Os autores veem nisso um alívio da carga mental, não só uma economia de energia. Reserve a intensidade total para os trechos que já estão seguros.
Antes da apresentação, passe tudo do começo ao fim sem parar. É o ensaio corrido, a passagem completa: no teatro, o dicionário do site Teatro em Escala o define como um ensaio realizado sem interrupções, com a movimentação toda estabelecida, que serve para cronometrar o tempo do espetáculo e dar a ele o ritmo desejado. Anote o que trava e depois limpe: retome os trechos em que o grupo não está junto, contagem por contagem, conferindo se todos têm o mesmo ângulo de braço e o mesmo olhar no mesmo tempo. Termine no palco de verdade, para reajustar as distâncias.
Preparar sua coreografia com o Stancz
O Stancz é um aplicativo de coreografia: você posiciona os dançarinos num palco em escala, encadeia formações e vê as transições se animarem no ritmo da música, em visão 2D de cima, em 3D e do ponto de vista da plateia. Ele funciona no navegador de um computador (PC ou Mac), sem instalação, e em aplicativos para iPhone, iPad e Android, com a mesma conta em todos. O plano gratuito permite até 3 coreografias, com 4 formações por coreografia, e existe uma assinatura paga para ir além. O Stancz traz 19 presets, formas prontas que se adaptam ao número de dançarinos, e aceita até 500 dançarinos por coreografia.
No método deste guia, ele entra na hora da música, do posicionamento e da passagem para o grupo. Você importa a faixa, em MP3 ou WAV, e a forma de onda vira o eixo do tempo. “Marcar o andamento (BPM)” mede o BPM, e “Encaixar as formações na batida” alinha as durações aos tempos. Você cria uma formação para cada parte da música, dá um nome a ela (“Verso 1”, “Refrão”) e puxa a borda para definir a duração; na reprodução, os dançarinos deslizam de uma formação para a seguinte, e um trajeto longo demais ou dois dançarinos que se cruzam aparecem na hora. Para passar a coreografia, você a compartilha só para leitura, inclusive no plano gratuito, e “Me destacar” põe em evidência o ponto de cada dançarino.
O que o Stancz não faz, sem rodeios: ele não escreve os passos por você. Nenhuma inteligência artificial inventa coreografia ali dentro; os movimentos, as contagens e as frases ficam na sua tabela, no seu caderno e no seu corpo, e o aplicativo cuida só do espaço e do tempo, ou seja, de quem está onde e em que momento. Ele não exporta em PDF, não permite edição por várias pessoas ao mesmo tempo e não faz gestão de escola (matrículas, agenda, pagamentos).
Perguntas frequentes
- Como montar uma coreografia simples quando você está começando?
- Escolha uma música de andamento moderado que você conheça bem, ouça várias vezes sem dançar e depois conte a música em blocos de 8 tempos. Identifique a introdução, os versos e os refrões, crie um motivo curto e retome esse motivo em cada refrão. Duas ou três frases repetidas e variadas bastam para uma primeira sequência; depois acrescente as formações e ensaie por partes, devagar e sem música no começo.
- Por que se conta em oito tempos na dança?
- Porque a música que se dança se divide assim: um bloco de 8 cobre dois compassos de quatro tempos. Contar em 8 permite associar cada movimento a um tempo preciso, fazer o grupo todo sair junto no 1 depois do “5, 6, 7, 8” e encontrar um trecho pelo número, por exemplo o terceiro oito do refrão. Os contratempos são contados com “e”.
- Que música escolher para criar uma coreografia?
- Uma música que dê vontade de dançar, de andamento moderado para uma primeira vez, com uma estrutura clara: introdução, versos e refrões que voltam. Meça o andamento em BPM para saber quanto dura cada bloco de 8 e corte a faixa na duração certa, no início de uma frase musical. Depois, entregue o mesmo arquivo para o grupo todo.
- Como anotar uma coreografia para não esquecer?
- Com uma tabela de contagens: uma linha por bloco de 8, a parte da música ao lado e os movimentos em poucas palavras. Acrescente um mapa por formação com o lugar de cada dançarino e a contagem em que todo mundo precisa estar no lugar. O Superprof, citado acima, também sugere escrever ou desenhar a coreografia, com abreviações próprias, para guardá-la na memória.
- Como ensinar uma coreografia para um grupo?
- Em blocos de 8: mostre o primeiro devagar e sem música, contando, peça que o grupo repita até ficar natural, depois passe para o seguinte e encadeie os dois. De frente para o grupo, dance espelhado e avise. Deixe marcar durante o aprendizado, reserve a intensidade total para os trechos seguros, depois faça um ensaio corrido completo e limpe os trechos em que o grupo não está junto.
- Dá para criar coreografia on-line?
- Para o posicionamento e as formações, sim: o Stancz abre no navegador de um computador, sem instalação, e também existe como aplicativo para iPhone, iPad e Android. Nele você posiciona os dançarinos, encadeia as formações na sua música e compartilha o resultado; o plano gratuito vai até 3 coreografias com 4 formações cada. Já os passos quem inventa é você: o Stancz não escreve os passos por você.
Fontes
Este guia se baseia nas referências a seguir, consultadas durante a redação.
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Como criar coreografia, da música ao ensaio corrido: cortar a faixa, contar em 8 tempos, montar a estrutura, escrever as frases, posicionar o grupo e ensaiar.
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